quinta-feira, 23 de maio de 2013

Liberte meu Coração

por Maria Clara  

Quem está familiarizado com a série "O Diário da Princesa", de Meg Cabot, deve lembrar que, no último volume da série, a princesa Mia Thermopolis escreve um romance como parte dos trabalhos que precisa entregar para se formar no Ensino Médio. O livro existe de verdade, e se chama "Liberte meu Coração".

O romance não tem nada a ver com os dramas adolescentes enfrentados por Mia. "Liberte meu Coração" conta a história de Finnula Crais, uma jovem inglesa que choca o condado onde vive com seus modo pouco femininos (Finnula usa calças e é caçadora, sendo considerada a melhor arqueira do local, entre outros hábitos inapropriados para uma donzela). Um dia, tentando fazer um favor para uma de suas irmãs, ela sequestra um cavaleiro que retornava das Cruzadas - sem saber que ele é, na verdade, o Conde de Stephensgate, soberano da cidade.

À primeira vista, a história pode parecer um romance meloso ou "comum" demais. Afinal, o próprio título já deixa óbvio que um interesse amoroso surgirá entre os protagonistas. No entanto, o enredo é conduzido de forma envolvente e sem clichês, principalmente por causa dos personagens.

Hugo (o conde) é bonito, forte e justo, como se espera do heroi de um romance de cavalaria. Finnula, porém, não cai no risco de ser a moça independente que se torna submissa e delicada ao conhecer o amor. A garota, mesmo reconhecendo que precisa se parecer um pouco com o que a época exigia de uma mulher, se recusa a abandonar seus hábitos "exóticos" ou a aceitar prontamente as ordens de qualquer homem.

Para quem gosta de histórias românticas não-açucaradas, "Liberte meu Coração" é uma boa escolha. Interesante, envolvente e imprevisível (na medida do possível), o livro deve agradar, inclusive, quem não é fã de "O Diário da Princesa".

"Liberte meu Coração" foi publicado pela editora Galera Record. Para adicioná-lo à sua estante no skoob, clique aqui.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Estilhaça-me

por Maria Clara 

Juliette Ferrars tem 17 anos, e passou os últimos três trancada em uma cela que, teoricamente, devia ser um hospital psiquiátrico. Ela passa os dias sozinha, até que algo assustador acontece: um garoto chega para lhe fazer companhia. Essa novidade seria ótima, não fosse o fato de que Juliette não pode tocar ninguém sem matar ou ferir seriamente a pessoa.

Criada pela norteamericana Tahereh Mafi, Juliette é a protagonista de "Estilhaça-me", primeiro romance da autora (e início de uma trilogia). A necessidade de se controlar para não tocar o companheiro de prisão não é o único problema da adolescente. Rapidamente, Juliette descobre que sairá do hospício apenas para se tornar uma arma nas mãos do Restabelecimento - grupo que detém o poder político e oprime a população, principalmente depois que os recursos naturais entraram em colapso e se tornou necessário racionar comida e eletricidade.

Desesperada, a garota precisará encontrar um jeito de ser aceita na sociedade e impedir o Restabelecimento de controlá-la (mesmo que nenhuma pessoa goste dela - graças a seu "dom" -, Juliette não tem vontade de se vingar de todos aqueles que a abandonaram no hospício). Para isso, terá a ajuda de Adam, o rapaz que foi colocado em sua cela e que, estranhamente, é imune à dor que a pele da protagonista pode causar.

"Estilhaça-me" é um livro envolvente, e seus capítulos curtos dão rapidez à trama. Narrado por Juliette, dá a impressão de estarmos dentro da própria cabeça da garota - frases corridas, sem vírgulas, como se os pensamentos viessem aos turbilhões e não houvesse tempo para se acalmar antes de decidir o que fazer. Além disso, é comum ver frases riscadas, como se a garota se recusasse a aceitar algo que tenha acabado de perceber. É uma forma de escrita que, à primeira vista, pode causar estranhamento, mas à medida que o leitor entra na história, percebe que isso ajuda a entender o drama da protagonista - abandonada, intocável (mesmo seus pais não podiam se aproximar), assustada, com um grande sentimento de culpa e desesperada para não ser transformada em assassina ou torturadora. 

Tahereh Mafi conseguiu criar um enredo interessante e que dá vontade de acompanhar os próximos acontecimentos da história. 




"Estilhaça-me" foi publicado pela editora Novo Conceito. Para adicioná-lo à sua estante no Skoob, clique aqui.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A Guerra dos Tronos

por Maria Clara 

Uma das séries televisivas que mais tem chamado a atenção é "Game of Thrones", transmitida pelo canal a cabo HBO. Já na terceira temporada, a série é uma adaptação das Crônicas de Gelo e Fogo, livros escritos pelo norte-americano George R. R. Martin. A saga se inicia com o livro "A Guerra dos Tronos", e narra as lutas (físicas e políticas) pelo poder nos sete reinos de Westeros.

Explicando melhor: depois da morte do rei Robert Baratheon, começa uma movimentação na corte para determinar o futuro da nação. O herdeiro do rei é jovem e existem dúvidas sobre seu direito ao trono; os irmãos de Robert querem reivindicar a coroa; o herdeiro do rei anterior procura um exército para reaver o posto que antes era de seu pai, assassinado a mando de Baratheon. Enquanto isso, todos os nobres que não possuem motivos para subir ao trono se movem pelos bastidores, armando complôs e tentando encontrar uma posição em que sejam beneficiados pelo próximo soberano do local, seja ele quem for.

No meio disso tudo, está Eddard Stark. Ned, como é chamado, é o lorde de Winterfell e se tornou Mão do Rei (um cargo muito importante, é o principal conselheiro do governante) recentemente. Ao ir para a corte levando suas duas filhas, Sansa e Arya Stark, ele descobre segredos que podem piorar a instabilidade de Westeros. Ned é, de certo modo, o protagonista de "A Guerra dos Tronos", mas existem outras histórias que se cruzam com a sua. A trajetória dos Targaryen e dos Lannister, outras famílias nobres, também recebem atenção, embora os Stark concentrem várias ações importantes no livro.

O cruzamento dos enredos é uma das maiores qualidades da obra. Mesmo com a narração em terceira pessoa, Martin mescla diferentes pontos de vista durante todo o livro, o que contribui para que a história, que é bastante extensa, não se torne nem um pouco cansativa. Tudo acontece num ritmo agradável, e há momentos em que é difícil se separar do livro. Reunindo uma história criativa, escrita envolvente e a possibilidade de assistir as cenas na televisão, "A Guerra dos Tronos" é uma leitura imperdível.

"A Guerra dos Tronos" foi publicado pela editora Leya. Para adicioná-lo à sua estante no skoob, clique aqui.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Perdida

por Maria Clara 

Escrita pela brasileira Carina Rissi, "Perdida" é uma história romântica envolvendo viagens no tempo. A protagonista do livro é Sofia, uma jovem bastante trabalhadora e viciada em novas tecnologias que não acredita no amor. Um dia, depois de comprar um celular estranho, ela é envolvida por uma luz e vai parar no século XIX. É nessa nova época que ela conhece Ian Clarke e procura uma forma de voltar para casa.

O enredo segue uma fórmula já utilizada em outras histórias: Sofia encontra dificuldades em se adaptar aos costumes antigos, sofre com saudades do século XXI e se apaixona por um rapaz que tem todas as qualidades de um príncipe encantado. Apesar de tudo acontecer no Brasil - uma boa mudança de ares, já que a maior parte dos livros que fazem sucesso atualmente são estrangeiros -, o par romântico de Sofia tem sobrenome inglês, e referências a Jane Austen aparecem com frequência. A própria história, de modo geral, lembra a minissérie britânica "Lost in Austen".

O livro é leve, simples, com uma história previsível. Apesar de mencionar "Orgulho e Preconceito" constantemente, a protagonista não tem a independência de Elizabeth Bennet. Sofia resgata a ideia das mocinhas que são capazes de abandonar vida, amigos e emprego para acompanhar o amor de suas vidas. Não há grandes sobressaltos na no enredo, e o final não é lá muito inovador. Uma pena, para quem procura histórias atuais escritas por brasileiros.

"Perdida" foi publicado pela editora Baraúna. Para adicioná-lo à sua estante no skoob, clique aqui.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O Teorema Katherine

por Maria Clara 

Na infância, Colin Singleton era considerado um prodígio. Aprendia as coisas mais rápido que as outras crianças, e tinha uma capacidade particular de formar anagramas. Outra característica marcante do rapaz é sua vida sentimental: Colin passou por 19 relacionamentos amorosos, todos com garotas chamadas Katherine.


Em "O Teorema Katherine", de John Green, encontramos o protagonista recém-formado no Ensino Médio e solteiro, sofrendo por não ser mais considerado um gênio e por ter sido dispensado pela 19ª namorada. Na tentativa de enfrentar essas decepções, o rapaz faz uma viagem de carro com o amigo Hassan. Sem destino definido, a ideia dos dois é simplesmente sair para esquecer os problemas.

John Green já havia conquistado o público brasileiro com "A Culpa é das Estrelas" (no exterior, outros três títulos do escritor já são sucesso entre os leitores). Com "O Teorema Katherine", continua tratando de jovens que, mesmo sem procurar, acabam em uma jornada de autoaceitação. É por meio da inteligência aguçada que Colin parte dos problemas amorosos e começa a pensar sua vida como um todo - chegando a uma conclusão óbvia (o próprio amigo ressalta que sua descoberta não é novidade) mas que, na história e no modo de pensar do rapaz, acaba por se mostrar uma verdadeira epifania.

Em comparação ao livro "A Culpa...", "O Teorema Katherine" tem uma carga dramática menor. Compreensível, já que enquanto Colin sofre com a dor de cotovelo, Hazel Grace tinha que lidar com um câncer e a morte sempre iminente. Ainda assim, o livro não cai em clichês de comédias românticas. É uma história simples e sem grandes sobressaltos, mas contada de maneira leve e envolvente.

"O Teorema Katherine" foi lido em inglês. No Brasil, foi publicado pela editora Intrínseca. Para adicioná-lo à sua estante no Skoob, clique aqui.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

"Romeu e Julieta" e "Em Chamas" já têm primeiro trailer divulgado

por Maria Clara

Nos últimos dias, dois filmes baseados em livros tiveram seu primeiro trailer divulgado: "Romeu e Julieta", de Shakespeare, está ganhando uma nova adaptação - dessa vez, o diretor responsável é o italiano Carlo Carlei. O casal protagonista é interpretado por Hailee Steinfeld (do remake de "Bravura Indômita") e Douglas Booth (que fez um par romântico com Miley Cyrus em "Lola").



"Em Chamas", continuação da história iniciada com "Jogos Vorazes", também já tem seu primeiro trailer. Nele, vemos o início da agitação popular em Panem depois da reviravolta que Katniss e Peeta causaram quando saíram vitoriosos da arena.


"Em Chamas" estreia nos cinemas brasileiros em novembro; "Romeu e Julieta" ainda não tem data definida para chegar ao país.

domingo, 17 de março de 2013

O Começo do Adeus

por Maria Clara

Meses depois de ficar viúvo, Aaron Woolcott passa a ser visitado pela esposa. Não é como em filmes de terror: Dorothy não veio assustá-lo, nem precisa resolver questões pendentes antes de "seguir em frente". Ela simplesmente surge, acompanha o marido ao longo do dia e, eventualmente, desaparece.
 

É com esse enredo que a norteamericana Anne Tyler fala sobre a superação da morte de alguém importante para nós. "Acompanhado" da mulher, Aaron passa pela pena que os colegas de trabalho e vizinhos sentem, pela tentativa da irmã de tomar conta do recém-viúvo e pela novidade de encontrar a casa sempre abandonada (ele e Dorothy não tinham filhos).

Aos poucos, o próprio protagonista vai analisando a forma como enfrenta os acontecimentos e as mudanças que sua vida está sofrendo. Ao contrário do que se espera em publicações com essa temática, não há mensagens religiosas nem grandes mergulhos na espiritualidade - o livro deve agradar quem, assim como Aaron, está lidando com a morte de algum amigo ou familiar. Para quem não está vivenciando uma grande perda, porém, deve ser mais difícil ser conquistado pela história.

"O Começo do Adeus" foi publicado pela editora Novo Conceito. Para adicioná-lo à sua estante no Skoob, clique aqui.
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