quinta-feira, 1 de agosto de 2013

S.E.G.R.E.D.O.

por Maria Clara

O sucesso de vendas da trilogia iniciada com "50 Tons de Cinza" gerou um turbilhão de outros livros em que o sexo é o foco da história. "Profundamente Sua", de Sílvia Day (que se apresenta como uma versão melhorada da trilogia de E. L. James) e "Um Olhar de Amor", de Bella Andre, são exemplos desse boom da literatura erótica, mostrando os detalhes picantes de relacionamentos amorosos.

"S.E.G.R.E.D.O.", de L. Marie Adeline, toma um caminho diferente: o sexo, aqui, não faz parte de uma história de amor, embora a protagonista viva às voltas com uma paixão não-correspondida. Viúva, triste e sem muitas expectativas ou confiança em si mesma, Cassie Robichaud encontra no grupo Segredo uma forma de usar a atividade sexual como empoderamento para todas as outras áreas de sua vida.

O grupo é uma espécie de sociedade secreta que ajuda seus participantes (mulheres, principalmente) a se abrir para o mundo e aumentar a autoestima, de modo a alcançar a felicidade e a autoaceitação. As participantes são identificadas por meio de um bracelete que marca dez fantasias sexuais - como um programa de passos para alcançar um objetivo. A cada avanço, percebemos como a atitude de Cassie para consigo mesma vai mudando, e como ela se torna mais segura e extrovertida.

A autora, a produtora de TV Lisa Gabriele, usou um pseudônimo por receio do impacto que um livro desse gênero poderia trazer para sua vida. Com a liberdade proporcionada pelo nome novo, ela criou uma história interessante e envolvente, trazendo um diferencial. Ao contrário de outros títulos eróticos em alta no momento, "S.E.G.R.E.D.O." não segue a linha BDSM (popularmente conhecida como sadomasoquismo) nem apresenta a protagonista como submissa. Em entrevista à revista Época, Lisa afirmou que quis "escrever um livro em que a mulher definisse o que ela acha excitante, em que não precisa se submeter às necessidades masculinas". 

O final do livro deixa margem para uma continuação: a autora já está escrevendo o próximo volume da história, embora ainda não exista uma data prevista para publicação. Enquanto o segundo livro não chega, porém, o primeiro já apresenta um encerramento à altura da trama que desenvolveu.

"Segredo" foi publicado pela editora Globo Livros. Para adicioná-lo à sua estante no Skoob, clique aqui.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Laços Inseparáveis

por Maria Clara 

Marian Caldwell é uma produtora de TV bem-sucedida. Aos 36 anos, ela tem o emprego que sempre quis, mora num dos melhores locais de Nova York e só precisa se preocupar em convencer seu namorado a se casar. Já Kirby Rose, de 18 anos, está terminando o Ensino Médio e se sentindo deslocada na família que a adotou quando nasceu.

Aparentemente sem nada em comum, essas duas mulheres se encontram, certa noite, no apartamento de Marian. Kirby sente que, para seguir sua vida com um futuro mais tranquilo, precisa conversar com a produtora de TV. Ao mesmo tempo, a adolescente faz com que Marian relembre uma parte de seu passado que ela preferia poder esquecer.

Em "Laços Inseparáveis", a norte-americana Emily Giffin mostra todas as consequências desse encontro na vida das duas personagens. Marian e Kirby, com histórias e personalidades diferentes, passam a conviver e aprender uma com a outra. Juntas, elas percorrem um caminho em que se redescobrem e crescem pessoalmente, revendo suas opiniões e as escolhas que já fizeram.

O livro, bastante agradável, nos faz pensar na importância de nossa família, e no quanto podemos nos aproximar ou nos afastar das pessoas ao longo do tempo. Mostra como o passado tem um papel importante em nossa vida, e como os laços que criamos ao longo de nossa história definem quem somos.

"Laços Inseparáveis foi publicado pela editora Novo Conceito. Para adicioná-lo à sua estante no Skoob, clique aqui.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

O Grande Gatsby

por Maria Clara 

Escrito por F. Scott Fitzgerald em 1925, "O Grande Gatsby" conta a história de Jay Gatsby, um milionário de passado duvidoso que gosta de dar festas extravagantes e é apaixonado por Daisy Buchanan, uma mulher casada. Por meio do olhar de seu vizinho Nick Carraway (narrador do livro), acompanhamos os acontecimentos da vida do protagonista.

A história, entretanto, não se trata apenas das dificuldades de Gatsby para alcançar o amor de Daisy. Fitzgerald mostra, no protagonista, uma tentativa de reviver o passado  - o milionário teima em reconstruir a juventude, quando conheceu sua amada, ao invés de aceitar o rumo que sua vida tomou e seguir em frente. Para ele, o ideal não é reconquistar Daisy, mas sim retomar o relacionamento exatamente do ponto onde ele parou (ignorando, inclusive, o casamento e a filha da moça).

O marido de Daisy, Tom Buchanan, é o principal obstáculo para os planos de Gatsby, mas a preocupação com a esposa não é seu único problema. Tom tem um caso extraconjugal, e à medida que percebe a aproximação entre Daisy e Gatsby, também enfrenta complicações com a amante.

Como Nick não julga o que vê, limitando-se a narrar os fatos, o leitor é conduzido de forma imparcial pelas festas de Gatsby e pelas visitas à casa dos Buchanan. Isso faz com que cada um possa criar suas próprias opiniões sobre a obsessão de Gatsby com o passado, a relação de Tom com suas mulheres e o comportamento superficial de Daisy frente a tudo o que acontece. O livro, que já foi transformado em filme outras quatro vezes (a quinta adaptação, estrelada por Leonardo di Caprio e dirigida por Baz Luhrmann, estreou hoje no Brasil), permite fazer uma reflexão sobre a busca de muitas pessoas por algo do passado - algo que, como o protagonista não compreende, não pode retornar como se o tempo não houvesse existido.



"O Grande Gatsby" foi lido em inglês. Para adicioná-lo à sua estante no Skoob, clique aqui.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Liberte meu Coração

por Maria Clara  

Quem está familiarizado com a série "O Diário da Princesa", de Meg Cabot, deve lembrar que, no último volume da série, a princesa Mia Thermopolis escreve um romance como parte dos trabalhos que precisa entregar para se formar no Ensino Médio. O livro existe de verdade, e se chama "Liberte meu Coração".

O romance não tem nada a ver com os dramas adolescentes enfrentados por Mia. "Liberte meu Coração" conta a história de Finnula Crais, uma jovem inglesa que choca o condado onde vive com seus modo pouco femininos (Finnula usa calças e é caçadora, sendo considerada a melhor arqueira do local, entre outros hábitos inapropriados para uma donzela). Um dia, tentando fazer um favor para uma de suas irmãs, ela sequestra um cavaleiro que retornava das Cruzadas - sem saber que ele é, na verdade, o Conde de Stephensgate, soberano da cidade.

À primeira vista, a história pode parecer um romance meloso ou "comum" demais. Afinal, o próprio título já deixa óbvio que um interesse amoroso surgirá entre os protagonistas. No entanto, o enredo é conduzido de forma envolvente e sem clichês, principalmente por causa dos personagens.

Hugo (o conde) é bonito, forte e justo, como se espera do heroi de um romance de cavalaria. Finnula, porém, não cai no risco de ser a moça independente que se torna submissa e delicada ao conhecer o amor. A garota, mesmo reconhecendo que precisa se parecer um pouco com o que a época exigia de uma mulher, se recusa a abandonar seus hábitos "exóticos" ou a aceitar prontamente as ordens de qualquer homem.

Para quem gosta de histórias românticas não-açucaradas, "Liberte meu Coração" é uma boa escolha. Interesante, envolvente e imprevisível (na medida do possível), o livro deve agradar, inclusive, quem não é fã de "O Diário da Princesa".

"Liberte meu Coração" foi publicado pela editora Galera Record. Para adicioná-lo à sua estante no skoob, clique aqui.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Estilhaça-me

por Maria Clara 

Juliette Ferrars tem 17 anos, e passou os últimos três trancada em uma cela que, teoricamente, devia ser um hospital psiquiátrico. Ela passa os dias sozinha, até que algo assustador acontece: um garoto chega para lhe fazer companhia. Essa novidade seria ótima, não fosse o fato de que Juliette não pode tocar ninguém sem matar ou ferir seriamente a pessoa.

Criada pela norteamericana Tahereh Mafi, Juliette é a protagonista de "Estilhaça-me", primeiro romance da autora (e início de uma trilogia). A necessidade de se controlar para não tocar o companheiro de prisão não é o único problema da adolescente. Rapidamente, Juliette descobre que sairá do hospício apenas para se tornar uma arma nas mãos do Restabelecimento - grupo que detém o poder político e oprime a população, principalmente depois que os recursos naturais entraram em colapso e se tornou necessário racionar comida e eletricidade.

Desesperada, a garota precisará encontrar um jeito de ser aceita na sociedade e impedir o Restabelecimento de controlá-la (mesmo que nenhuma pessoa goste dela - graças a seu "dom" -, Juliette não tem vontade de se vingar de todos aqueles que a abandonaram no hospício). Para isso, terá a ajuda de Adam, o rapaz que foi colocado em sua cela e que, estranhamente, é imune à dor que a pele da protagonista pode causar.

"Estilhaça-me" é um livro envolvente, e seus capítulos curtos dão rapidez à trama. Narrado por Juliette, dá a impressão de estarmos dentro da própria cabeça da garota - frases corridas, sem vírgulas, como se os pensamentos viessem aos turbilhões e não houvesse tempo para se acalmar antes de decidir o que fazer. Além disso, é comum ver frases riscadas, como se a garota se recusasse a aceitar algo que tenha acabado de perceber. É uma forma de escrita que, à primeira vista, pode causar estranhamento, mas à medida que o leitor entra na história, percebe que isso ajuda a entender o drama da protagonista - abandonada, intocável (mesmo seus pais não podiam se aproximar), assustada, com um grande sentimento de culpa e desesperada para não ser transformada em assassina ou torturadora. 

Tahereh Mafi conseguiu criar um enredo interessante e que dá vontade de acompanhar os próximos acontecimentos da história. 




"Estilhaça-me" foi publicado pela editora Novo Conceito. Para adicioná-lo à sua estante no Skoob, clique aqui.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A Guerra dos Tronos

por Maria Clara 

Uma das séries televisivas que mais tem chamado a atenção é "Game of Thrones", transmitida pelo canal a cabo HBO. Já na terceira temporada, a série é uma adaptação das Crônicas de Gelo e Fogo, livros escritos pelo norte-americano George R. R. Martin. A saga se inicia com o livro "A Guerra dos Tronos", e narra as lutas (físicas e políticas) pelo poder nos sete reinos de Westeros.

Explicando melhor: depois da morte do rei Robert Baratheon, começa uma movimentação na corte para determinar o futuro da nação. O herdeiro do rei é jovem e existem dúvidas sobre seu direito ao trono; os irmãos de Robert querem reivindicar a coroa; o herdeiro do rei anterior procura um exército para reaver o posto que antes era de seu pai, assassinado a mando de Baratheon. Enquanto isso, todos os nobres que não possuem motivos para subir ao trono se movem pelos bastidores, armando complôs e tentando encontrar uma posição em que sejam beneficiados pelo próximo soberano do local, seja ele quem for.

No meio disso tudo, está Eddard Stark. Ned, como é chamado, é o lorde de Winterfell e se tornou Mão do Rei (um cargo muito importante, é o principal conselheiro do governante) recentemente. Ao ir para a corte levando suas duas filhas, Sansa e Arya Stark, ele descobre segredos que podem piorar a instabilidade de Westeros. Ned é, de certo modo, o protagonista de "A Guerra dos Tronos", mas existem outras histórias que se cruzam com a sua. A trajetória dos Targaryen e dos Lannister, outras famílias nobres, também recebem atenção, embora os Stark concentrem várias ações importantes no livro.

O cruzamento dos enredos é uma das maiores qualidades da obra. Mesmo com a narração em terceira pessoa, Martin mescla diferentes pontos de vista durante todo o livro, o que contribui para que a história, que é bastante extensa, não se torne nem um pouco cansativa. Tudo acontece num ritmo agradável, e há momentos em que é difícil se separar do livro. Reunindo uma história criativa, escrita envolvente e a possibilidade de assistir as cenas na televisão, "A Guerra dos Tronos" é uma leitura imperdível.

"A Guerra dos Tronos" foi publicado pela editora Leya. Para adicioná-lo à sua estante no skoob, clique aqui.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Perdida

por Maria Clara 

Escrita pela brasileira Carina Rissi, "Perdida" é uma história romântica envolvendo viagens no tempo. A protagonista do livro é Sofia, uma jovem bastante trabalhadora e viciada em novas tecnologias que não acredita no amor. Um dia, depois de comprar um celular estranho, ela é envolvida por uma luz e vai parar no século XIX. É nessa nova época que ela conhece Ian Clarke e procura uma forma de voltar para casa.

O enredo segue uma fórmula já utilizada em outras histórias: Sofia encontra dificuldades em se adaptar aos costumes antigos, sofre com saudades do século XXI e se apaixona por um rapaz que tem todas as qualidades de um príncipe encantado. Apesar de tudo acontecer no Brasil - uma boa mudança de ares, já que a maior parte dos livros que fazem sucesso atualmente são estrangeiros -, o par romântico de Sofia tem sobrenome inglês, e referências a Jane Austen aparecem com frequência. A própria história, de modo geral, lembra a minissérie britânica "Lost in Austen".

O livro é leve, simples, com uma história previsível. Apesar de mencionar "Orgulho e Preconceito" constantemente, a protagonista não tem a independência de Elizabeth Bennet. Sofia resgata a ideia das mocinhas que são capazes de abandonar vida, amigos e emprego para acompanhar o amor de suas vidas. Não há grandes sobressaltos na no enredo, e o final não é lá muito inovador. Uma pena, para quem procura histórias atuais escritas por brasileiros.

"Perdida" foi publicado pela editora Baraúna. Para adicioná-lo à sua estante no skoob, clique aqui.
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