domingo, 15 de abril de 2012

Férias!

por Maria Clara

Marian Keyes é uma escritora irlandesa famosa pelo livro "Melancia". Seu estilo é dinâmico, mantendo o ritmo necessário para não deixar o leitor perder o interesse na história - um pouco parecido com a maneira que a americana Meg Cabot tem em suas histórias para adultos.

Em "Férias", Keyes narra as aventuras (ou desventuras) de Rachel Walsh, uma jovem que, graças ao vício em cocaína, é internada pela família a uma clínica de reabilitação. Lá, além de tentar se livrar do vício nessa e em outras drogas, ela conhecerá outros toxicômanos (termo que ela odeia, quando é associado a seu nome) e encontrará oportunidade para repensar a própria vida.

Mesclando o presente - vivido na clínica de reabilitação - ao passado da protagonista, Marian Keyes mostra as situações que levaram a vida de Rachel até onde ela se encontra. Não há, em momento algum, a sensação de que a cocaína seja absolutamente normal, mas esse passeio pelas lembranças da jovem ajuda a entender como ela foi tão fundo no vício. Além da história, interessante e divertida, "Férias" traz o recado de "diga não às drogas" de maneira tranquila, transmitido na intensidade certa.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Jogos Vorazes

por Maria Clara

Preciso confessar uma coisa: tinha um certo preconceito contra "Jogos Vorazes". Não sei porque, quando via tantas pessoas comentando sobre o livro, sempre pensava que era só uma moda, e que não valia a pena alterar minha lista de livros para esse semestre com o início dessa trilogia (como a maior parte dos leitores já sabe, a história tem dois livros que desenrolam a trama: "Em Chamas" e "A Esperança"). Grande engano.

O livro, escrito pela norte-americana Suzanne Collins, conta a história de Katniss Everdeen, uma garota de 16 anos que mora no Distrito 12 de Panem - um lugar onde, anteriormente, existia a América do Norte. Todo ano, o Capitol (que governa Panem em regime ditatorial) organiza os Hunger Games, espécie de reality show em que um garoto e uma garota de cada um dos 12 distritos devem lutar até que apenas um sobreviva. Essa atração, além de trazer melhores condições de vida ao distrito do vencedor, reforça o domínio que o Capitol tem sobre o povo.
 
Katniss entra nos jogos como voluntária, para poupar sua irmã mais nova. Junto com ela, vai Peeta Mellark, filho do padeiro e que sempre foi apaixonado por Katniss. Quem pensa que esse é o início de um enredo super romântico em que uma garota se divide entre o amor de dois rapazes (Katniss tem um amigo, Gale, por quem não sabe exatamente o que sente) está errado. Em "Jogos Vorazes", o amor não aparece com a forma romântica de sempre - ele é um sentimento que pode ser usado pela protagonista para garantir sua sobrevivência.

Com uma história diferente, que conquista justamente por não ter a abundância de emoções que vemos nos outros livros lançados ultimamente, Suzanne faz com que a leitura seja rápida, e dê vontade de ler a continuação. Ao invés de fazer com que os leitores sonhem com grandes romances, a autora os faz pensar na questão da ditadura política, e em como os personagens tentam driblar essa dominação de forma pacífica - ou, ao menos, tentam mostrar para todo o Capitol que não possuem o mínimo respeito pelo sistema de governo.

"Jogos Vorazes" é editado pela Rocco, e pode ser lido rapidamente. O filme, com Jennifer Lawrence no papel de Katniss, estreia hoje nos cinemas. Quem já viu? Quem está ansioso pra assistir?

sexta-feira, 16 de março de 2012

Amor virtual

Por Samira

Era tarde de sexta-feira, quando o técnico chegou. A menina de nove anos trazia no rosto um sorriso que ia de uma orelha à outra. Aquele momento seria o início de uma longa história de amor.

O computador era um Pentium 4, com Windows XP – a última novidade no mercado. A internet – discada – era usada, na maioria das vezes, à noite. Esse era o horário mais barato e que, muito provavelmente, não se perderia uma ligação por causa da linha telefônica ocupada. E foi em uma dessas noites que a menina resolveu criar gratuitamente um endereço de correio eletrônico.

A garotinha cresceu e, hoje, dez anos depois, possui oito contas de e-mail. Um para isso, outro para aquilo... Se ela usa todos eles, todos os dias? Não. Na verdade, ela nem sabe como chegou a esse número. O que se sabe é que aquela primeira conta, criada em 2002, já não tem mais tanta utilidade – e quase nunca é aberta.

Em um “quase nunca” desses, ela, que não tinha o que fazer, resolveu abrir a caixa de entrada daquele e-mail. Entre vírus e correntes, uma mensagem de agradecimento pelos dez anos juntos. Era seu primeiro provedor de internet, que aproveitou a oportunidade para dizer que espera estar com ela pelos próximos dez anos, também.

A ficha caiu. Naquele momento ela percebeu que encerrou um relacionamento, mas esqueceu de avisar isso ao seu companheiro de longa data. Falta de coragem? Talvez. Depois de ler aquilo, ela preferiu fechar a janela e continuar fingindo que é fiel à sua primeira paixão. Quem sabe seja melhor assim.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O Céu está em todo lugar

Por Maria Clara

Lennie Walker acabou de perder a irmã, e está tentando lidar com a dor dessa morte. É nessa situação que começa o romance "O Céu está em Todo Lugar", de Jandy Nelson, publicado pela editora Novo Conceito. O livro, que teve uma ótima repercussão nos Estados Unidos, mescla a história a uma série de poemas escritos pela protagonista em papeis e objetos encontrados pela cidade de Clover, onde tudo acontece.

O enredo consiste na história de Lennie, a mais nova das irmãs Walker, e sua relação com a morte da mais velha - quando o livro começa, Bailey já morreu, mas aparece em flashbacks da infância das garotas. Ao longo do romance, somos apresentados à família de Lennie, à sua melhor amiga Sarah, sua rival Rachel e aos dois garotos que deixam seu coração em dúvida: Toby, namorado de Bailey, e que parece ser o único que compreende a tristeza de Lennie; e Joe, recém-chegado da França, que faz com que a garota seja mais alegre.

Mesmo com esse triângulo amoroso, o foco do livro não são os romances de Lennie, mas seu luto: é a partir dele que as relações da garota com a família, a amiga, os rapazes e com a vida, de modo geral, se modificam. A autora não apela para o sofrimento excessivo, entretanto. O que se sente durante a leitura é uma espécie de tristeza tranquila, que consegue ser suave e intensa ao mesmo tempo, pontuada por pequenos momentos de felicidade. O estilo de escrita de Jandy Nelson faz com que o leitor praticamente sinta todas as emoções de Lennie, garantindo o envolvimento com a trama e a expectativa pelo fim da história - e por novos livros da autora.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Qual seu número?

Por Samira

Delilah Darling é uma jovem de 29 anos, solteira e, como ela mesma se define na primeira página, “uma mulher fácil”. Jovem, porque, apesar da idade, curte cada momento como se fosse único. Mulher, porque aprende a ser mais madura a cada experiência. Fácil, porque...

Delilah já dormiu com 19 homens ao longo da vida e entra em pânico quando lê em seu jornal preferido a informação de que “uma pessoa tem, em media, 10,5 parceiros sexuais durante a vida”.

Com isso, a fim de não aumentar o seu número e não chegar aos 60 anos tendo dormido com 78 homens, ela decide estabelecer um limite – 20 – e ir atrás dos ex-namorados. O objetivo? Reconquistá-los e ser protagonista de uma história de amor sem ter que burlar a meta imposta.

O romance de Karyn Bosnak é, sem dúvida, algo que faz rir e pensar nas atitudes já tomadas. Um livro para ser devorado. Uma chance para descobrir que o passado, independente de ter sido bom ou não, é um dos fatores responsáveis por moldar o presente e o futuro de uma pessoa.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Química Zero

Por Samira

Era manhã de quarta-feira quando o diretor da escola entrou na sala de número 01, onde estava o terceiro ano do ensino médio. Sua fala foi breve, porém segura. Naquele momento houve o anúncio oficial de que a escola havia incorporado um novo professor ao quadro de funcionários.
Como todo bom aluno de ensino médio, fiquei a pensar na matéria que aquele homem iria lecionar. Talvez história, geografia... Mas, não. Ele aparentava ser muito novo para saber a história do mundo e das rochas. Minha dúvida persistiu até o momento em que um colega do fundão levantou a mão e perguntou:
– Ele vai dar aula de quê, diretor?
A resposta assustou como o badalo de um sino às 6h da manhã:
– Química, queridos. Nosso novo professor é especialista na área. Tenho certeza que vocês irão amá-lo.
Respirei fundo e comecei a pensar como eu poderia tirar proveito da situação para tornar-me uma aluna cada dia melhor. Afinal, daquele momento em diante, eu teria, quatro vezes por semana, aula com um especialista. O diretor desejou boa aula, pediu licença e retirou-se da sala.
O professor novato esperava que um de nós quebrasse o silêncio, mas ao ver que ninguém iria falar, resolveu manifestar-se acerca do conteúdo programado para o segundo bimestre. Sem demora, pegou o giz e escreveu no quadro: “Nomenclatura de compostos orgânicos”. Exposto o tema, foi dada a largada para a primeira de muitas aulas complicadas que viriam.
Sempre ocupei a primeira carteira da sala. Se isso era bom porque me ajudava a não desviar o foco da atenção, ao mesmo tempo era ruim porque todo professor, independente da matéria, hora ou outra direcionava uma pergunta para mim. Para não quebrar a rotina, minutos antes do intervalo o professor novato veio em minha direção e...
– Ei, você de pulseira. Que nome eu posso dar para dois átomos de carbono e seis de hidrogênio?
Raciocinei, fiz cálculos e criei fórmulas em minha mente. Quando pensei ter certeza da resposta e resolvi falar, fui interrompida por um elogio.
– Parabéns! É isso mesmo. Dois átomos de carbono com seis de hidrogênio formam um Etano.
Sem reação estava, sem reação fiquei.
– Eu sabia que você iria acertar! São 10h, vamos sair. Após o intervalo continuaremos, disse o professor.
Ao concluir o ensino médio, divorciei-me da Química (apesar do nome, não havia química alguma em nossa relação), reatei o namoro com o Português e fiquei noiva da Comunicação. Sem Etano, encontrei a fórmula do amor perfeito.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Encantadora, seca, colorida

Por Maria Clara




foto: Dirani Chaves

Brasília é seca. É uma cidade adorável, mas seca. É capaz de criar dias de puro sol e calor, e nada de umidade. Faz a população inteira passar uma noite acordada, aguardando os pingos que abrirão a primeira chuva, tão esperada e prometida. Decepciona todos os moradores quando revela que a chuva não duraria nem dois dias direito. Mas Brasília, apesar de seca, continua adorável como as cores com que estampou o céu na sexta-feira, dia 30 de setembro, por volta do meio dia.
O círculo colorido que encantou a população tem nome: halo. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia - Inmet, o fenômeno ocorreu por causa da concentração de umidade em volta do disco solar. A luz do sol passou pelas gotículas de água ou cristais de gelo e formou o arco (o halo é um arco-íris diferente).
O Inmet explica, ainda, a principal diferença entre a formação do halo e de um arco-íris comum: no primeiro, o sol está a pico, e sua luz atinge a umidade concentrada ao redor. No segundo, "a posição aparente do sol deve estar de lado e as nuvens de formação de chuva devem estar do lado oposto, para que os raios solares possam fazer um ângulo com as gotículas de ádua ou de gelo, que faça refletir as cores para o observador".
Sabendo ou não o nome correto do aro colorido ou como ele se forma, os moradores do DF se impressionaram com o fenômeno. Nas ruas, era possível ver pessoas olhando para o céu, tentando fotografar o halo e ligando para conhecidos e pedindo que olhassem para o céu. Talvez o círculo tenha encantado a todos apenas pela raridade com que aparece, talvez tenha dado uma esperança de que a umidade sairia de perto do sol e viria até Brasília, refrescando o calor da cidade. Que, de qualquer jeito, continuou adoravelmente seca, até que a chuva voltou, de verdade, no começo dessa semana.
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