quinta-feira, 2 de março de 2017

resenha | Depois de você

por Maria Clara


Em "Como eu era antes de você", a autora Jojo Moyes apresentou a história de Louisa Clarke e seu relacionamento com o bilionário Will Traynor. Tetraplégico, Will quer cometer suicídio assistido e nem o amor de Lou consegue convencê-lo a mudar de ideia. O tempo que os dois passam juntos, porém, tem grande influência na vida da moça: apaixonado por ela, Will tenta expandir sua forma de ver o mundo e perseguir seus sonhos.

Mais de um ano depois de perder Will, Louisa volta às páginas de Moyes - e se o primeiro livro terminou dando um toque de esperança à vida da protagonista, a continuação mostra que essa sensação não durou tanto tempo.

Em "Depois de você", Louisa trabalha como garçonete de um pub no aeroporto. Ela passou alguns meses viajando pela Europa mas, em pouco tempo, percebeu que ainda não havia superado a morte do antigo patrão e voltou para a Inglaterra, apesar de não retornar à casa dos pais: agora, ela mora em Londres, a pouco tempo do novo emprego (que detesta e onde não é valorizada).

Sozinha no apartamento onde mora, ela sofre um acidente - interpretado pela família como uma tentativa de suicídio - e conhece Lily, filha adolescente de Will. Nem o próprio Will sabia da existência da menina, que passa a morar com Lou para saber mais sobre o pai. O livro se baseia na convivência das duas, como forma de resgatar a história do bilionário, e na tentativa de Louisa de seguir em frente e lidar com os sentimentos por outro homem.

"Depois de você" segue o tom do primeiro livro, focando no crescimento pessoal de Lou. Nos primeiros capítulos, a dor da perda de Will ainda é bastante forte e ela acaba por pautar sua vida por aquilo que ainda a conecta a ele, mas aos poucos percebe que precisa conciliar seu luto com a necessidade de dar continuidade a sua vida e se permitir viver novos amores.

O livro começa depois de Lou tentar seguir os conselhos de Will

O tratamento dado por Moyes à tristeza da protagonista não é forçado nem artificial; Louisa realmente sente dificuldades para superar o luto, mas não a ponto de ter atitudes exageradas. A relação com Lily pode ser estranha - afinal, a menina tem apenas 16 anos e o leitor pode se perguntar onde estão os responsáveis por ela (a pergunta é respondida no livro) -, mas a estranheza da situação não escapa à percepção de Lou, que também sabe que precisa se esforçar para ficar bem de novo. O que ela não sabe, por causa do próprio luto, é como começar esse esforço.

A história continua apresentando Lou como uma personagem interessante e com diferentes nuances, distante da jovem efusiva e colorida que inicia o primeiro livro. Com uma carga dramática maior, agora que até os personagens secundários precisam lidar com a morte de Will, "Depois de você" é a continuação que "Como eu era antes de você" merecia: sem exageros nem dramalhão, mas abordando o luto e a luta da protagonista de forma honesta e sensível.

"Depois de você" foi publicado pela editora Intrínseca. Para adicioná-lo à sua estante no Skoob, clique aqui.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

resenha | História da sua vida e outros contos

por Maria Clara


Vencedor de prêmios de ficção científica como o Hugo Awards e o Nebula Awards, o escritor norteamericano Ted Chiang reuniu, em "História da sua vida e outros contos", oito narrativas diferentes. Tratando principalmente da busca do conhecimento, o livro apresenta histórias ambientadas em diferentes épocas.

O primeiro conto, "A Torre da Babilônia", mostra os esforço dos construtores da também conhecida como Torre de Babel: com o objetivo de chegar até o céu, os trabalhadores passam um ano subindo a torre, e a perca de um tijolo é mais sentida que a morte de um homem. O protagonista, Hillalum, avalia a construção e os mistérios divinos a partir do ponto de vista de um escavador (sua função na construção).

"Entenda", o segundo conto, traz a história de um homem que, depois de um tratamento experimental, adquire consciência completa de sua mente e do funcionamento de seu cérebro. Aos poucos, o peso de tanto conhecimento transforma sua maneira de lidar com a sociedade e com seu próprio potencial, levando a uma interessante disputa psicológica. O enredo lembra o do filme "Lucy", em que Scarlett Johansson vivia uma mulher em situação semelhante.


"Entenda" se assemelha à premissa do filme "Lucy", de Luc Besson

A história "Divisão por zero" traz um questionamento à matemática. Enquanto desenvolve um formalismo, a professora Renee Norwood faz uma descoberta que muda a noção de exatidão que se tem sobre a aritmética: seria possível provar que "1 = 2"? Seria possível, ainda, provar que quaisquer outros números também são iguais? Rapidamente, o questionamento sobre a matemática se transforma numa dúvida sobre tudo o que a protagonista tinha como certeza.

O conto que dá nome ao livro trata dos esforços da linguista Louise Banks para estabelecer a comunicação com alienígenas que chegaram à terra. Em "História da sua vida", ela mescla o método de contato com os extraterrestres à lembrança de diferentes fatos da vida de sua filha. As duas narrativas lentamente mostram sua relação, misturando noções como o futuro e a capacidade de raciocínio a partir da forma como nos relacionamos com a língua. A história foi adaptada para o cinema, dando origem ao filme "A Chegada" - indicado ao Oscar em oito categorias.




Em "Setenta e duas letras", Chiang trata da geração de vida em seres inanimados. O conto apresenta tentativas de animar autômatos, evocando tanto robôs quanto os golems da tradição judaica. Indo além do que o enredo traz, porém, também é possível ao leitor fazer referência a questões genéticas - como a seleção, ainda em fase embrional, das características que cada indivíduo apresentará ao nascer.

"A Evolução da ciência humana" se diferencia dos outros contos por sua estrutura: mais curto, o texto se assemelha a um artigo de revista. Ao final do livro, nas notas em que fala sobre cada conto, Chiang explicou que se trata realmente de um texto proposto pela revista Nature, em que o autor deveria falar sobre um desenvolvimento científico a ocorrer no milênio seguinte.

Fenômenos ligados a religião são o tema central de "O Inferno é a ausência de Deus". Esta história, porém, acompanha a relação de três pessoas com a aparição de anjos - cujos efeitos podem ser fatais para os humanos. O conto questiona se uma vida virtuosa é garantia para a eternidade no paraíso.


O escritor Ted Chiang


"Gostando do que vê: um documentário" é uma grande discussão sobre a beleza, a importância que damos a ela e suas relações com a discriminação. Ao propor um debate sobre a possibilidade de tornar as pessoas imunes à diferenciação entre "belo" e "feio", Chiang faz com que o próprio leitor se questione sobre o quanto valoriza o quesito estético em suas relações. O texto dispõe os depoimentos como se fosse, realmente, um documentário. O fato de que não há como ver o rosto de cada entrevistado, porém, é um elemento a mais no debate estético, já que não é possível ver a aparência de quem é contra ou a favor da capacidade de enxergar a beleza.

Reunidos, os contos de Chiang oferecem ao leitor não apenas um bom entretenimento, como também oportunidades de pensar sobre a ciência em nosso cotidiano.

"História da sua vida e outros contos" foi publicado pela editora Intrínseca. Para adicioná-lo à sua estante no Skoob, clique aqui.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

resenha | Tony & Susan

por Maria Clara


Susan Morrow, a protagonista de "Tony & Susan", do norteamericano Austin Wright, tem uma vida tranquila. Dedicada a cuidar da família e da casa, ela vive com os três filhos e o marido e não tem muitas emoções além da rotina doméstica. Isso muda, porém, ao receber uma encomenda do ex-marido: escritor, Edward lhe envia a primeira versão de um livro e pede que ela o leia.

A partir daí, Susan começa a dedicar suas noites à leitura do romance "Animais Noturnos". A obra de Edward conta a história de Tony Hastings, um homem que vê a esposa e a filha serem sequestradas durante uma viagem de férias. Sem conseguir defendê-las, ele passa o resto da vida tentando lidar com a violência que a família sofreu nas mãos dos bandidos que encontrou na estrada.

Enquanto Susan acompanha a história de Tony, ela relembra seu relacionamento com Edward – desde a adolescência, quando se conheceram, até os acontecimentos que culminaram com o divórcio. Incomodada por ter recebido o livro, ela continua a leitura por pressentir um objetivo oculto: ela acredita que Edward tinha algum tipo de recado para passar a ela por meio do romance.

"Tony & Susan" oferece uma narrativa dentro de outra: o leitor não só lê a história de Susan, como também lê a história de Tony enquanto ela é lida por Susan. Ao mesmo tempo em que acompanhamos as desventuras do homem que sofre por se afastar da família e as reflexões de uma mulher sobre seu primeiro casamento, acompanhamos a opinião e as reações desta mulher ao livro que lemos com ela.

O resultado é quase um exercício de metalinguagem: o leitor se percebe analisando a própria condição de leitor, já que todos os acontecimentos do romance são provenientes das sessões de leitura de Susan. Isso é melhor demonstrado nos trechos de maior violência ou impacto de "Animais Noturnos": logo que uma novidade no enredo criado por Edward desperta uma reação no leitor, a mesma é anunciada por Susan, que reflete sobre o livro do ex-marido a cada novo capítulo.

Embora essa seja uma característica interessante de "Tony & Susan" – e, talvez, seu ponto alto –, o livro possui ritmo lento e a condução da história principal se torna um pouco monótona. A trama protagonizada por Tony oferece boas oportunidades de pensar sobre a coragem de defender aqueles a quem se ama e o ponto em que justiça e vingança se confundem. O enredo que acompanha Susan, porém, parece carecer de mais informações. Ela sente que está deixando algo passar enquanto lê o livro de Edward, e isso faz com que ela – e o leitor – entrem em um estado de incômodo contínuo.



Publicado em 1993, "Tony & Susan" chegou aos cinemas em janeiro de 2017, com o nome "Animais noturnos". Dirigida por Tom Ford, a adaptação é estrelada por Amy Adams e Jake Gyllenhaal e foi indicado ao Oscar em oito categorias: melhor filme, diretor, roteiro adaptado, fotografia, edição, design de produção, edição de som e mixagem de som.

"Tony & Susan" foi publicado pela editora Intrínseca. Para adicioná-lo à sua estante no Skoob, clique aqui.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Oscar 2017 traz adaptações de seis livros

por Maria Clara


Em fevereiro, nos Estados Unidos, acontecerá a 89.ª cerimônia de entrega dos Academy Awards, o Oscar de 2017. Os filmes indicados às 24 categorias foram anunciados na última semana – e, entre eles, estão seis obras que foram adaptadas da literatura. Conheça os livros que deram origem aos concorrentes dos prêmios esse ano:

"Estrelas além do tempo", de Margot Lee Shetterly

O livro conta a história de três cientistas afro-americanas responsáveis pelo programa espacial dos Estados Unidos e deu origem ao filme de mesmo nome. Estrelada por Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe e dirigido por Theodore Melfi, a adaptação recebeu três indicações: Melhor filme, melhor atriz coadjuvante (Octavia Spencer) e melhor roteiro adaptado.





"História da sua vida e outros contos", de Ted Chiang - A Chegada

O conto que dá nome ao livro serviu como inspiração para "A Chegada". Estrelado por Amy Adams e dirigido por Dennis Villeneuve, "A Chegada" foi indicado a melhor filme, diretor, roteiro adaptado, fotografia, edição, design de produção, edição de som e mixagem de som. O filme acompanha o esforço da linguista Louise Banks para traduzir o idioma de alienígenas que pousaram na Terra.





"Uma longa jornada para casa", de Saroo Brierley - Lion

No livro, o indiano Saroo Brierley conta a história de sua vida: ainda criança, se perdeu da família e acabou adotado por um casal australiano; anos depois, ele usa o Google Earth para tentar reencontrar a família biológica. No filme "Lion - uma jornada para casa", o autor é interpretado por Dev Patel. A adaptação foi indicada a seis categorias: melhor filme, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro adaptado, fotografia e trilha sonora.






"Tony & Susan", de Austin Wright - Animais Noturnos

O livro de Austin Wright acompanha Susan Morrow, uma professora de inglês que recebe a primeira versão de um livro escrito por seu ex-marido, Edward Sheffield. Enquanto lê a história, que foi dedicada a ela, Susan relembra seu relacionamento com Edward. "Tony & Susan" deu origem ao filme "Animais noturnos", dirigido por Tom Ford e estrelado por Amy Adams e Jake Gyllenhall, rendeu a indicação ao oscar de melhor ator coadjuvante a Michael Shannon.





"Um Limite entre nós", de August Wilson

A obra de August Wilson foi adaptada para o cinema sob direção de Denzel Washington. Indicado a melhor filme, ator, atriz coadjuvante e roteiro adaptado, o filme aborda o racismo a partir do personagem Troy Maxson, que precisa lidar com o sonho do filho de ser esportista.




"O Silêncio", de Shusaku Endo

O filme, que tem origem no livro de mesmo nome, foi dirigido por Martin Scorsese e indicado ao prêmio de melhor fotografia. O enredo acompanha dois padres jesuítas no Japão, numa época em que o catolicismo havia sido banido do país.





A cerimônia do Oscar será realizada no dia 26 de fevereiro (domingo), com apresentação de Jimmy Kimmel.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

resenha | The Kiss of Deception

por Maria Clara






Aos 17 anos, Lia se prepara para um casamento arranjado: ela é a princesa de Morrighan e, para consolidar uma aliança feita por seu pai para garantir a paz com o reino vizinho, deverá se casar com o príncipe de Dalbreck. A união, porém, é tudo aquilo que a protagonista de "The Kiss of deception", da escritora Mary E. Pearson, não deseja.

Única menina entre os quatro filhos do rei de Morrighan, Lia foi criada para ser uma princesa consciente de seus deveres e responsabilidades enquanto membro da realeza, mas é avessa ao comportamento que se espera dela. A garota gosta de armas e de cavalgar, fugia do quarto para jogar cartas com os amigos do irmão mais velho e sempre fala sua opinião sem se preocupar com as consequências, causando constrangimentos na corte. A perspectiva do matrimônio forçado traz à tona outro ponto da personalidade de Lia: ela não aceita a ideia de se casar simplesmente para cumprir um contrato, como se estivesse sendo vendida.

Parte da insatisfação da adolescente com a vida que tem em sua terra natal, Civica (capital do reino), se dá pelo toque místico da trama. A protagonista é uma Primeira Filha e, de acordo com a tradição e a religião de Morrighan, deveria ser capaz de ver o futuro – informação relevante para firmar seu contrato de casamento. Como seu dom não se manifestou, Lia sente que a união com o príncipe seria uma farsa, já que apenas sua mãe sabe que ela é uma garota comum.

Na tentativa de alcançar a liberdade, ela se une a sua amiga e dama de companhia, Pauline, e foge para a cidade de Terravin. Aí, elas começam a trabalhar como garçonetes em uma hospedaria, dando início ao que seria uma nova vida para a protagonista.

O enredo do livro deslancha com as consequências da fuga de Lia. A jovem é procurada pelo príncipe com quem devia se casar, que está curioso para conhecê-la, e por um bárbaro que deseja matá-la por motivos políticos. A princesa não sabe disso e, ao conhecer dois rapazes na estalagem, não sabe quais as intenções de cada um (a narrativa de Pearson impede, durante parte da história, que os próprios leitores tenham certeza de quem é o príncipe e quem é o assassino).

"The Kiss of deception" é o primeiro volume da trilogia Crônicas de Amor e Ódio. Comparado à obra de Jane Austen ("Emma", "Orgulho e preconceito") e à série "A Seleção", de Kiera Cass, o livro traz uma protagonista forte e decidida. Lia sabe o papel que é esperado dela, mas está disposta a correr riscos e aceitar as consequências de lutar por aquilo que acredita.

A história é contada pela princesa e por seus dois perseguidores, unindo diferentes pontos de vista sobre o enredo. Cheia de reviravoltas, a narrativa foge de clichês e chega ao final do livro deixando, no leitor, a vontade de começar logo a leitura de "The Heart of betrayal", segundo volume da trilogia.

"The Kiss of deception" foi publicado pela editora Darkside Books. Para adicioná-lo à sua estante no Skoob, clique aqui.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

resenha | A Garota no trem

por Maria Clara

Todos os dias, Rachel Watson pega o trem de 8h04 para Londres. No caminho, passa pelos fundos de uma casa onde mora o casal perfeito. Ela não os conhece, mas imagina um casamento cheio de amor, carinho e proteção - tudo com o que a própria Rachel sonhava para seu último relacionamento. A vida feliz imaginada pela protagonista é confrontada com a realidade quando Megan Hipwell (a esposa observada) desaparece.

Primeiro romance escrito por Paula Hawkins, "A Garota no trem" é narrado por três personagens diferentes. Rachel é a principal condutora da história, fazendo uma ligação entre os vários pontos do enredo. Ela admira o casamento dos Hipwell enquanto se ressente pelo fim de seu matrimônio com Tom, que a trocou por outra mulher. Alcoólatra, ela se culpa pela separação mas não tem forças para deixar de beber ou de entrar no trem diariamente - durante a viagem, ela também consegue ver a casa onde morava com o ex-marido.

Fiel a sua ideia do casamento ideal, Rachel tenta ajudar Scott Hipwell - marido de Megan - a provar sua inocência e acaba se envolvendo perigosamente na investigação do desaparecimento.

A segunda narradora é a própria Megan. Sua versão dos acontecimentos começa um ano antes, de forma que o leitor compreenda todos os fatos que se somaram para culminar em seu desaparecimento. Ao contar seu cotidiano com Scott, ela mostra o quando a felicidade de seu casamento é questionável. Megan vive sufocada tanto pelos ciúmes do marido quanto por um passado que ela nunca conseguiu superar, e recorre a casos extraconjugais para se sentir livre. À medida que seus segredos são expostos ao leitor, a lista de possíveis culpados por seu sumiço cresce.

A terceira voz do livro é Anna, nova esposa de Tom. Casada com ele desde que Rachel foi embora, ela mora na mesma casa onde Rachel vivia e é vizinha dos Hipwell. Sua narrativa é a menos frequente no livro, mas dá uma nova visão sobre os personagens.

As três mulheres se alternam na condução da história, o que faz com que o enredo mantenha o suspense. A proximidade das três deixa claro outro aspecto que as une: as três vivem relacionamentos tóxicos, que marcam suas decisões ao longo do livro. Todas elas sofrem com abusos físicos e psicológicos, e nem todas percebem o quanto a situação lhes empurra para situações de perigo.




Pelo suspense e pela temática do desaparecimento, "A Garota no trem" tem sido comparado com "Garota exemplar", de Gillian Flynn. Assim como o livro da norteamericana, ele tem um ritmo que prende o leitor (mas não tanto quanto o romance de Flynn) e foi adaptado para o cinema, com Emily Blunt no papel de Rachel.

"A Garota no trem" foi publicado pela editora Record. Para adicioná-lo à sua estante no Skoob, clique aqui.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

resenha | O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares

por Maria Clara

Jacob Portland é um garoto de 16 anos. Inteligente, tímido e de família rica, ele vai à escola, conversa com o único amigo e trabalha em uma das filiais da rede de farmácias que, um dia, irá herdar. Essa rotina, que ele considera comum e entediante, muda quando seu avô morre.

Para os pais de Jacob, seu avô era um homem maluco: era obcecado por armas, vivia sozinho e contava histórias sobre crianças que podiam voar ou abrigar abelhas no estômago, entre outras habilidades. Com sua morte, o garoto viaja ao País de Gales, para visitar o local onde seu avô dizia ter vivido aventuras com estas crianças. Ali, Jacob conhece os peculiares do título.

Imaginados pelo escritor Ransom Riggs a partir de uma coleção de fotografias antigas, os peculiares são pessoas com habilidades ou características especiais (inevitável pensar em uma comparação com os X-Men). Eles vivem em fendas temporais que impedem seu envelhecimento - tornando possível que uma garotinha aparente ter menos de oito anos, mas já esteja viva há mais de oitenta. Cada fenda é guardada por uma ymbrine, mulher peculiar capaz de se transformar em ave e controlar o tempo.

Durante a viagem, Jacob acaba entrando na fenda da srta. Peregrine, onde o dia 03 de setembro de 1940 é sempre reiniciado. Ali, ele conhece outros peculiares: Emma é capaz de produzir fogo com as mãos; Millard é invisível; Horace tem sonhos que revelam o futuro; Olive, extremamente leve, não se mantém no chão se não usar sapatos de ferro. Estes são apenas alguns dos habitantes do orfanato onde a ymbrine Peregrine protege as crianças dos perigos externos.

A chegada de Jacob marca uma quebra na segurança do orfanato. Seguindo os passos do avô, o garoto precisará ajudar as crianças a lutar contra os etéreos - antigos peculiares que sofreram mutações durante uma experiência científica mal-sucedida - que, ao que tudo indica, desejam comer os moradores do orfanato.

O livro acompanha Jacob enquanto ele tenta entender este novo mundo ao qual pertence, ao mesmo tempo que descobre mais sobre a vida do avô e inicia um romance com Emma. Como a narrativa parte das fotos para construir uma história que consiga englobar todas as imagens, há trechos que parecem não ter muita importância, como se estivessem ali somente por obrigação. Ainda assim, o livro de Riggs (que é marido da também escritora Tahereh Mafi) tem uma história agradável e desperta curiosidade para os próximos volumes da trilogia - bem como para a adaptação cinematográfica, dirigida por Tim Burton.




"O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares" foi publicado pela editora Leya. Para adicioná-lo à sua estante no Skoob, clique aqui.
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